quarta-feira, 7 de setembro de 2016

#Diretas Já!

Semana de comemoração da “Independência” do Brasil é marcada por forte resistência ao Golpe.

 

Por: Nito Costa

     Após a manifestação do último dia 4, em São Paulo, que levou mais de cem mil pessoas às ruas contra o governo ilegítimo de Michel Temer, lideranças do movimento social e sindical, reunidas em plenária da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, definiram nesta terça-feira (6) a data das próximas manifestações populares.

     Nesta quinta-feira (8), um ato se concentrará no Largo da Batata a partir das 17 horas, e no domingo (11), a defesa da democracia, das novas eleições e do Fora Temer acontecerá novamente na avenida Paulista, a partir das 15h. 

     Sobre a ilegitimidade do governo Temer  o Sociólogo,  *Michael Löwy, reforça que o afastamento  da presidenta Dilma não tem “nenhuma base jurídica, o processo contra Dilma foi armado em cima de pretextos ridículos e absurdos. A oligarquia brasileira – financeira, industrial, rural, midiática, jurídica, etc. – pôs em execução um golpe de estado pseudo-legal, através de seu instrumento político, o partido dominante que controla ambas as Câmaras, o PQB (Partido dos Quatro Bs: Bancos, Boi, Bíblia e Bala. Talvez deveria se acrescentar uma letra: C, de “Corrupção”. Tal e qual Paraguai e Honduras, países sofridos que quase nunca conheceram democracia. Para realizar seu objetivo as elites econômicas capitalistas armaram uma aliança de ferro com os setores mais reacionários, obscurantistas e retrógrados da sociedade brasileira: os campeões da misoginia, da homofobia, da intolerância religiosa e da pena de morte. O resultado é este governo Temer, monstrengo ilegal, ilegítimo, impopular e espúrio, cujo primeiro ato será reduzir o orçamento da educação e da saúde. O momento não é para lamentos, ou resignação, mas para a resistência. Tem agora a palavra um personagem que não foi nem ouvido, nem consultado, durante estes meses de “processo”: a população brasileira. É urgente organizar um amplo movimento, como o de 1985 contra a ditadura militar agonizante, em torno da palavra de ordem “Diretas Já”! Chega de conchavos parlamentares, manobras pseudo-jurídicas, e golpes de estados senatoriais. É o povo brasileiro que deve eleger o Presidente da República e não uma clique de políticos do PQB." 

Sobre a imagem de capa da postagem:
 

A arte é uma montagem que circula nas redes sociais neste 7 de Setembro.


O original:"INDEPENDÊNCIA OU MORTE" ou "O Grito do Ipiranga" de Pedro Américo (óleo sobre tela, 1888).

O quadro feito em 1888, atualmente no salão nobre do Museu Paulista da USP, é a principal obra do museu e a mais divulgada de Pedro Américo.

O nome original dessa tela é "Independência ou Morte" mas ficou conhecida como "O Grito do Ipiranga".

A tela mede 7,60 x 4,15 m, tratando-se de uma tela retangular que representa a cena de Dom Pedro I proclamando a independência do Brasil. Na tela também aparecem:

à direita e à frente do grupo principal, em semicírculo, estão os cavaleiros da comitiva;

à esquerda, e em oposição aos cavaleiros, está um longo carro de boi guiado por um homem do campo que olha a cena curiosamente.

Essa obra foi encomendada pelo governo imperial e pela comissão de construção do monumento do Ipiranga, antes que o Museu do Ipiranga existisse, e foi completado em Florença em 1888.

O artista se preocupava em estudar todos os detalhes de seus quadros, como roupas, armas e os tipos físicos das pessoas. Para a produção deste quadro, ele se dirigia freqüentemente ao bairro do Ipiranga para conhecer-lhe a luz, a topografia e outros aspectos.

Nenhum dos dois pintores representou com exatidão os fatos. Pedro Américo, atendendo à finalidade da encomenda, buscou construir a imagem de um herói guerreiro, criador de uma nação. Moreaux, talvez pensando nas revoluções de sua pátria, pintou um líder popular. ( Fonte: Centro de Referência em Educação)



*Michael Löwy é sociólogo, nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS).  É autor de Revolta e melancolia: o romantismo na contracorrente da modernidade, Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012), A jaula de aço: Max Weber e o marxismo weberiano (2014) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin, além de coordenar, junto com Leandro Konder, a coleção Marxismo e literatura da Boitempo. Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.



#Diretas Já!
#Fora Temer



Hino Brasileiro Fora Temer 





Anexo


Assista: Diretas Já de 84




quinta-feira, 1 de setembro de 2016

#TCHAU_DEMOCRACIA.

31 de Agosto/16 , o dia em que o ódio golpeou a democracia tupiniquim.



Por: Le Monde Diplomatique, Marilena Chaui

 

NOVO REGIME


Sim, há golpe de Estado.

Na medida em que não há crime de responsabilidade pública, os procedimentos empregados para promover o impedimento pertencem à definição de golpe como trama, ardil, estratagema, manobra desleal, busca indevida de proveitos próprios e uso de palavras acintosas e injuriosas contra a presidenta Dilma



     Espinosa recomenda que, numa investigação, comecemos pelo uso costumeiro das palavras porque, na origem, elas possuem função denotativa, isto é, indicativa de alguma coisa e somente depois adquirem um sentido conotativo, como nas metáforas, metonímias, sinédoques e outras figuras de linguagem. Se aceitarmos essa recomendação, ao empregar a palavra golpe convém buscarmos nos dicionários seu primeiro sentido. O Dicionário da Língua Portuguesa de Laudelino Freire, por exemplo, apresenta: “1. pancada com instrumento cortante ou contundente; 2. ferimento, ferida, brecha feita com instrumento cortante ou contundente; 3. acontecimento funesto inesperado; infortúnio; desgraça; 4. crise; 5. trama”. O Dicionário Houaiss registra os mesmos significados, mas acrescenta: “ato pelo qual uma pessoa, utilizando-se de práticas ardilosas, obtém proveitos indevidos; estratagema, ardil, trama, manobra desleal [...] ataque acintoso por meio de palavras, injúria, insulto”. Entre os inúmeros sentidos figurados, os dicionários registram “golpe de Estado”. Laudelino Freire registra: “1. ato violento a que um governo recorre para sustentar o poder; 2. trama pela qual indivíduos por meios violentos derrubam o governo estabelecido”. E Houaiss: “1. tomada inesperada do poder governamental pela força sem participação do povo; 2. ato pelo qual um governo tenta manter-se no poder pela força, além do tempo devido”. Nessa perspectiva, compreende-se que muitos afirmem, incluindo o PT, que não está havendo um golpe de Estado, pois tudo se passa segundo a legalidade posta pela Constituição, não há uso da força nem mudança do regime (não se passa da democracia para a ditadura).



     Examinemos, porém, os procedimentos empregados. Na medida em que não há crime de responsabilidade pública por parte da presidenta Dilma Rousseff, os procedimentos empregados para promover seu impedimento pertencem à definição de golpe como trama, ardil, estratagema, manobra desleal, busca indevida de proveitos próprios e uso de palavras acintosas e injuriosas contra a sua pessoa. Em outros termos, a lei está sendo usada para pisotear o direito. Estamos, pois, perante o núcleo da palavra golpe como violência, desgraça, ferida e crise.



Mais importante: examinemos se, de fato, não há mudança de regime.



     Em primeiro lugar, estamos perante a desinstitucionalização da república. Na medida em que o pilar da forma republicana é a autonomia dos três poderes, vemos que esta se encontra rompida, por um lado, pelo que se denomina “judicialização da política” (em que poder judiciário opera para bloquear o trabalho dos conflitos – trabalho que é o núcleo da democracia), além de interferir diretamente de maneira seletiva e pré-determinada nos dois outros poderes. Por outro lado, é notória a interferência do poder executivo interino sobre o poder legislativo para a compra ou barganha de votos do Senado. Podemos não estar perante uma ditadura militar, mas percebemos claramente não que estamos diante de uma verdadeira república.



     Em segundo lugar, e muito mais grave, estamos diante da desconstrução da democracia. Esta, como sabemos, não se define apenas pela concepção liberal, que a reduz a um regime político baseado na ideia de direitos civis, organizada em partidos políticos e que se manifesta no processo eleitoral de escolha dos representantes e nas soluções técnicas para os problemas econômicos e sociais. A marca da democracia é a criação de direitos e a garantia de seu exercício.



    Neste momento, que se passa com o direito à igualdade? Está destruída, como indicam as medidas já tomadas pelo governo interino e as anunciadas por ele (como a PEC 241) e os 59 projetos de lei trazidos ao Congresso pela bancada do Boi, da Bala e da Bíblia, que selam a recusa da igualdade econômica, social, racial, sexual, religiosa, fundada nos direitos econômicos, sociais e culturais conquistados nos últimos quinze anos graças, de um lado, a políticas de erradicação da miséria e de inclusão por meio de transferência de renda, e, de outro lado, pela criação das secretarias de ações afirmativas.



     Que se passa com o direito à liberdade? Está sendo pisoteada, em primeiro lugar, pela supressão da Secretaria de Direitos Humanos e sua substituição pela Secretaria de Segurança Nacional, sob o comando de um general; em segundo lugar, pelo recurso ininterrupto às força policiais para reprimir movimentos populares e sociais de contestação e de reivindicação (fato observado sobretudo nas cidades menores do Sul e Sudeste e nas grandes cidades do Norte e do Nordeste), anunciando o emprego futuro da lei antiterrorismo contra a população.



    Que se passa com a participação? Tornou-se impossível porque há o monopólio da informação pelos meios de comunicação, que não apenas desinformam, mas produzem ininterruptamente falsas informações.



Conclusão: podemos ainda não estar num Estado policial, mas certamente já não estamos numa democracia.



     Finalmente, a questão da soberania. A política externa do governo interino, abandonando a política ativa e altiva dos governos Lula e Dilma, quebrou o Brics e o Mercosul e outros organismos de unificação continental, restaurou a geopolítica que orientou e comandou o golpe de 1964, isto é, recolocou o país submisso à esfera de poder e influência dos Estados Unidos, do Banco Mundial e do FMI. E, evidentemente, no que diz respeito às fontes de energia, em particular o petróleo, essa decisão geopolítica lançará o Brasil no mundo do confronto sangrento que marca a situação do Oriente Médio.



Nestas circunstâncias, como não falar em golpe de Estado?

Marilena Chaui: Filósofa e professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. 





Assista: Pronunciamento de Dilma Rousseff 




terça-feira, 23 de agosto de 2016

# A Carta de Dilma

Dilma Rousseff divulga carta à população brasileira propondo a realização de plebiscito sobre a convocação de eleições presidenciais antecipadas







Por: agenciabrasil.ebc


Leia abaixo a íntegra:

Mensagem da Presidenta da República Dilma Rousseff

AO SENADO FEDERAL E AO POVO BRASILEIRO


Brasília, 16 de agosto de 2016


Dirijo-me à população brasileira e às Senhoras Senadoras e aos Senhores Senadores para manifestar mais uma vez meu compromisso com a democracia e com as medidas necessárias à superação do impasse político que tantos prejuízos já causou ao País.


Meu retorno à Presidência, por decisão do Senado Federal, significará a afirmação do Estado Democrático de Direito e poderá contribuir decisivamente para o surgimento de uma nova e promissora realidade política.


Minha responsabilidade é grande. Na jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas. Acolho essas críticas com humildade e determinação para que possamos construir um novo caminho.


Precisamos fortalecer a democracia em nosso País e, para isto, será necessário que o Senado encerre o processo de impeachment em curso, reconhecendo, diante das provas irrefutáveis, que não houve crime de responsabilidade. Que eu sou inocente.


No presidencialismo previsto em nossa Constituição, não basta a desconfiança política para afastar um Presidente. Há que se configurar crime de responsabilidade. E está claro que não houve tal crime.


Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”. Quem afasta o Presidente pelo “conjunto da obra” é o povo e, só o povo, nas eleições.


Por isso, afirmamos que, se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de estado. O colégio eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído, sem a devida sustentação constitucional, por um colégio eleitoral de 81 senadores. Seria um inequívoco golpe seguido de eleição indireta.


Ao invés disso, entendo que a solução para as crises política e econômica que enfrentamos passa pelo voto popular em eleições diretas. A democracia é o único caminho para a construção de um Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social. É o único caminho para sairmos da crise.


Por isso, a importância de assumirmos um claro compromisso com o Plebiscito e pela Reforma Política.


Todos sabemos que há um impasse gerado pelo esgotamento do sistema político, seja pelo número excessivo de partidos, seja pelas práticas políticas questionáveis, a exigir uma profunda transformação nas regras vigentes.


Estou convencida da necessidade e darei meu apoio irrestrito à convocação de um Plebiscito, com o objetivo de consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral.


Devemos concentrar esforços para que seja realizada uma ampla e profunda reforma política, estabelecendo um novo quadro institucional que supere a fragmentação dos partidos, moralize o financiamento das campanhas eleitorais, fortaleça a fidelidade partidária e dê mais poder aos eleitores.


A restauração plena da democracia requer que a população decida qual é o melhor caminho para ampliar a governabilidade e aperfeiçoar o sistema político eleitoral brasileiro.
Devemos construir, para tanto, um amplo Pacto Nacional, baseado em eleições livres e diretas, que envolva todos os cidadãos e cidadãs brasileiros. Um Pacto que fortaleça os valores do Estado Democrático de Direito, a soberania nacional, o desenvolvimento econômico e as conquistas sociais.


Esse Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social permitirá a pacificação do País. O desarmamento dos espíritos e o arrefecimento das paixões devem sobrepor-se a todo e qualquer sentimento de desunião.


A transição para esse novo momento democrático exige que seja aberto um amplo diálogo entre todas as forças vivas da Nação Brasileira com a clara consciência de que o que nos une é o Brasil.


Diálogo com o Congresso Nacional, para que, conjunta e responsavelmente, busquemos as melhores soluções para os problemas enfrentados pelo País.


Diálogo com a sociedade e os movimentos sociais, para que as demandas de nossa população sejam plenamente respondidas por políticas consistentes e eficazes. As forças produtivas, empresários e trabalhadores, devem participar de forma ativa na construção de propostas para a retomada do crescimento e para a elevação da competitividade de nossa economia.


Reafirmo meu compromisso com o respeito integral à Constituição Cidadã de 1988, com destaque aos direitos e garantias individuais e coletivos que nela estão estabelecidos. Nosso lema persistirá sendo “nenhum direito a menos”.


As políticas sociais que transformaram a vida de nossa população, assegurando oportunidades para todas as pessoas e valorizando a igualdade e a diversidade deverão ser mantidas e renovadas. A riqueza e a força de nossa cultura devem ser valorizadas como elemento fundador de nossa nacionalidade.


Gerar mais e melhores empregos, fortalecer a saúde pública, ampliar o acesso e elevar a qualidade da educação, assegurar o direito à moradia e expandir a mobilidade urbana são investimentos prioritários para o Brasil.


Todas as variáveis da economia e os instrumentos da política precisam ser canalizados para o País voltar a crescer e gerar empregos.


Isso é necessário porque, desde o início do meu segundo mandato, medidas, ações e reformas necessárias para o país enfrentar a grave crise econômica foram bloqueadas e as chamadas pautas-bomba foram impostas, sob a lógica irresponsável do “quanto pior, melhor”.


Houve um esforço obsessivo para desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos impostos à população. Podemos superar esse momento e, juntos, buscar o crescimento econômico e a estabilidade, o fortalecimento da soberania nacional e a defesa do pré-sal e de nossas riquezas naturais e minerais.


É fundamental a continuidade da luta contra a corrupção. Este é um compromisso inegociável. Não aceitaremos qualquer pacto em favor da impunidade daqueles que, comprovadamente, e após o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, tenham praticado ilícitos ou atos de improbidade.


Povo brasileiro, Senadoras e Senadores,


O Brasil vive um dos mais dramáticos momentos de sua história. Um momento que requer coragem e clareza de propósitos de todos nós. Um momento que não tolera omissões, enganos, ou falta de compromisso com o país.


Não devemos permitir que uma eventual ruptura da ordem democrática baseada no impeachment sem crime de responsabilidade fragilize nossa democracia, com o sacrifício dos direitos assegurados na Constituição de 1988. Unamos nossas forças e propósitos na defesa da democracia, o lado certo da História.


Tenho orgulho de ser a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Tenho orgulho de dizer que, nestes anos, exerci meu mandato de forma digna e honesta. Honrei os votos que recebi. Em nome desses votos e em nome de todo o povo do meu País, vou lutar com todos os instrumentos legais de que disponho para assegurar a democracia no Brasil.


A essa altura todos sabem que não cometi crime de responsabilidade, que não há razão legal para esse processo de impeachment, pois não há crime. Os atos que pratiquei foram atos legais, atos necessários, atos de governo. Atos idênticos foram executados pelos presidentes que me antecederam. Não era crime na época deles, e também não é crime agora.


Jamais se encontrará na minha vida registro de desonestidade, covardia ou traição. Ao contrário dos que deram início a este processo injusto e ilegal, não tenho contas secretas no exterior, nunca desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros e não recebi propina de ninguém.


Esse processo de impeachment é frágil, juridicamente inconsistente, um processo injusto, desencadeado contra uma pessoa honesta e inocente. O que peço às senadoras e aos senadores é que não se faça a injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente.


A vida me ensinou o sentido mais profundo da esperança. Resisti ao cárcere e à tortura. Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça.


Minha esperança existe porque é também a esperança democrática do povo brasileiro, que me elegeu duas vezes Presidenta. Quem deve decidir o futuro do País é o nosso povo.


A democracia há de vencer.


Dilma Rousseff
Assista: Mensagem ao povo brasileiro e ao Senado Federal: A democracia há de vencer




ANEXO:

# A Igreja contra o Golpe de 16


“Não aceitamos que partido político nenhum se aproveite dessa crise pra dar golpe no país”, diz bispo sobre posição da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

 

 Por: Revista fórum



     No encerramento dos festejos religiosos de São José, em Tauá, no interior do Ceará, o bispo da Diocese de Crateús, Dom Ailton Menegussi, rejeitou de forma veemente o que considera ser uma tentativa de golpe em curso no Brasil. “Nós não aceitamos que partido político nenhum se aproveite dessa crise pra dar golpe no pais”, disse, falando em nome da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

“Os culpados não são desse partido ou daquele só não, não sejamos bobos. Tem corrupto em tudo que é partido. E a corrupção não foi inventada de quinze anos pra cá, não sejamos inocentes”, afirmou. “Nós não estamos interessados em trocar de governo simplesmente, queremos que o país seja respeitado, que os cidadãos brasileiros sejam respeitados, é isso que quer a CNBB. Não vamos apoiar simplesmente troca de governos, de pessoas interesseiras que estão apenas querendo se apossar porque são carreiristas”, disse.

    O líder religioso ainda chamou a atenção para a hipocrisia de algumas figuras políticas, sem citar nomes. “Tem muita gente posando de santinho, mas que nunca pensou em pobre. E não pensa em pobre. Estão fazendo discurso bonito porque querem o poder, e com isso a CNBB não concorda”, disse.

    Em sua fala, Dom Ailton Menegussi ainda atentou para a seletividade da Justiça brasileira. “Vamos rezar para que a justiça apareça, pra que os culpados, os realmente culpados, uma vez que apareçam, sejam punidos. Mas que sejam de todos os lados”, defendeu. “Porque nós sabemos que tem um monte de processos contra outros políticos que são engavetados, mas quando se trata de um governo que nasceu dos pobres, esse é criminoso. Nós não pensamos assim.”

Confira o vídeo:




terça-feira, 2 de agosto de 2016

#RESISTÊNCIA _que_SEGUE!

Resistência ao golpe de 16 no Brasil segue em cerca de 30 cidades do País e do mundo.


Por: Rede Brasil Atual


Manifestações pelo Fora Temer reúnem milhares em 30 cidades

Em São Paulo, Frente Povo sem Medo anuncia 60 mil pessoas. No Largo da Batata, senador Lindbergh Farias lembrou ação da mídia no golpe: "Quando a Globo pedirá desculpas pelo golpe que está tentando agora?"




Lindbergh ressaltou papel da mídia no golpe e lembrou que a Globo levou 50 anos para pedir desculpas por apoiar 1964
      
     Mais de 40 mil Mais de 40 mil pessoas, segundo a Frente Povo Sem Medo, organizadora do ato, participaram do protesto [ do ultimo domingo 31] contra o golpe e pela restauração da democracia. A manifestação foi em defesa da presidenta afastada Dilma Rousseff, na capital paulista. Os manifestantes começaram a se reunir às 14h no Largo da Batata, zona oeste da cidade. Por volta das 16h15, saíram em caminhada, em direção às proximidades da casa do presidente interino, Michel Temer, no bairro Alto de Pinheiros.

     O tema do ato é “Fora Temer! O povo deve decidir! Defender nossos direitos, radicalizar a democracia!” Liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e um dos coordenadores da Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos disse que o primeiro eixo do protesto é o Fora Temer, “porque esse governo é ilegítimo”. O segundo é a defesa dos direitos que estão ameaçados com o programa do golpe – “não precisou nem dois meses para que as máscaras caíssem e as razões do golpe fossem expostas em praça pública”. E por fim, que povo seja convocado a decidir que fim quer para a crise política.

     “O Congresso não tem autoridade, não tem credibilidade para definir os rumos do país, para definir a saída política para essa crise, então entendemos que o povo deve ser chamado”, disse Boulos, para quem um plebiscito seria uma alternativa, não apenas para a questão do impeachment, mas para impulsionar a reforma política.

     Os deputados federais Luiza Erundina e Ivan Valente, do Psol-SP, compareceram ao ato. “Eu lutei como muitos que aqui estão contra a ditadura militar. Fomos expulsas do Nordeste porque defendíamos a reforma agrária e a democracia”, discursou Erundina do alto do carro de som. Ela chamou a população a ir às ruas defender a democracia e pedir a saída de Temer.

     O ex-senador Eduardo Suplicy defendeu a presidenta afastada Dilma Rousseff, dizendo que ela não cometeu crime de responsabilidade. Ele acrescentou que, se estivesse no Senado atualmente, votaria contra o impeachment e aconselhou os atuais senadores a votar contra o afastamento definitivo da presidenta.

     No ato, havia bandeiras de diversas entidades, como Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, CTB, CUT, União da Juventude Socialista, União Nacional dos Estudantes, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

     O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) participou do ato em São Paulo e lembrou o papel da mídia no golpe. “A Rede Globo demorou 50 anos para pedir desculpas pelo golpe de 1964. E agora, quando tempo vai levar para se desculpar pelo golpe que está promovendo agora?”

Ódio e intolerância

      Manifestantes pedindo a efetivação do impeachment de Dilma também saíram às ruas hoje, em atos esvaziados na comparação com outros protestos. Exceto em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde se registraram algumas centenas de pessoas ao longo dia, nas demais cidades pode-se se chamar de dezenas o público. Mesmo assim, alguns episódios de intolerância e hostilidade foram descritos nas redes sociais.

     Na Avenida Paulista, algumas mulheres desdenhavam do fato de o governo interino de Michel Temer ser formado quase que exclusivamente por homens. Equipe do coletivo Jornalistas Livres chegou a ouvir da jornalista Joice Hasselmann, ex-blogueira da revista Veja: "Tem que parar com isso! Corrupção não tem sexo. Só porque Dilma é mulher pode fazer lambança no nosso país? Esse negócio de sexismo acho uma babaquice!", disse Joice, ignorando o fato de que não há crime nenhum de que a presidenta possa ser acusada.

     No Rio de Janeiro, um grupo de pessoas vestidas de verde e amarelo partiu para cima de uma comerciante que tinha em seu quiosque uma bandeira do Brasil com algumas faixas vermelhas. Segundo relato do Mídia Ninja, todos os clientes que estavam no quiosque saíram sem pagar, uma trabalhadora sofreu ameaças e foi agredida fisicamente e verbalmente por um homem que vestia uma blusa do Brasil rasgada, uma faca no pescoço, óculos de vespa verde e cartaz com os dizeres: morte aos vermes dos três podres poderes.

     Em Curitiba, a atriz Letícia Sabatella foi xingada, ameaçada e de teve de receber escolta policial para sair do local. A artista passava pelo local quando a reconheceram e começaram a vir os xingamentos, que iam desde "comunista" até "puta". Imagens foram postadas por Letícia em seu instagram e reproduzidas pela rede social do Brasil de Fato. Ela disse que não foi provocar ninguém. "Apenas passava pela praça antes de começar a manifestação e parei pra conversar com uma senhora. Meu erro. Preocupa esta falta de democracia no nosso Brasil. Eles não sabem o que fazem."

 Protestos aconteceram em cerca de 30 cidades do Brasil e do mundo

Amsterdã
Movimentos sociais programam manifestação para o dia 5, dia de abertura dos Jogos, mas mesmo assim teve gente na rua
Berlim
Ato em Belo Horizonte começou na Praça Sete e saiu em marcha com 10 mil pessoas

Londres
Coletivo Andorinha, em Lisboa

#TodosPelaDemocracia








ANEXO:




Ler: "América Latina se levanta contra o golpe no Brasil"