quinta-feira, 27 de outubro de 2016

#FIM_da_HSTORIA...

Aos 27 de outubro de 2016 o Blog Historismo encerra suas atividades na rede.


Por: Nito Costa 



      Era uma vez um blog… É isso, tudo na vida – ou quase tudo – tem um fim, e com este blog não haveria de ser diferente. O Blog Historismo começou suas atividades na rede em uma sexta-feira, 25 de janeiro de 2013, data do aniversario de 459 anos da cidade de São Paulo. Eu, mediador deste blog, sou mineiro de nascimento, mas aprendi a ter uma relação de gratidão com São Paulo. Aqui pude viver e, sobreviver, a algumas experiências que só quem cresce em uma cidade grande como São Paulo pode viver. Isso, por si só, foi suficiente para escolher esta data e colocar o Historismo na rede. #Começo_da_ Historia.  

       
     Em relação ao Golpe de 16 no Brasil, assunto que fez parte das ultimas postagens deste blog, gostaria de deixar claro que continuo ao lado dos legalistas na luta e resistência a qualquer tipo de situação antidemocrática, como a que vem acontecendo nas ultimas horas em meu país. Acredito que a luta política tem seu valor não naqueles que, a qualquer soprar de ventos, saltam do olho do furacão, estes já alcançaram a porção que lhes cabe, a luta política tem seu valor naqueles que nunca desistem. #Resistir_é_ Preciso. 

     
      Gosto de observar e interpretar a história pela ótica dos ciclos. Uma das vantagens de se ter nascido no século 20, e ter a experiência de viver a idade adulta no século 21, é entender que tudo é fugaz! O ciclo do começo, meio e fim é fatídico. Entendo que o que vem ocorrendo na "terra da Presidenta" é um encurtamento, através de um Golpe de Estado, de um ciclo de conquistas sociais, começado e autorizado por voto direto e democrático na eleição presidencial de 2002, que elegeu o primeiro operário presidente do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, que teve o aval democrático da população em 2014, com a reeleição da primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Vana Rousseff, com mais de 54 milhões de votos. # Volta Dilma!

       
     Os políticos de oposição ao projeto de inclusão social, defendido pelo governo Dilma, não conseguiram vitória nas últimas 4 eleições. Destarte, e pra variar, "eles" dão mais um Golpe na democracia brasileira e tentam barrar os visíveis avanços sociais dos últimos anos. #A_Historia_se_Repete. 

      
     Os primeiros passos do GPG (Governo Provisório Golpista), que tem como“presidente” Michel Temer, foi o ato de extinção do Ministério da Previdência, órgão responsável pela elaboração de políticas, gestão e fiscalização da previdência social no país, junto com diversos ministérios ligados a áreas sociais como Cultura, Mulheres, Direitos Humanos, Igualdade Racial e Desenvolvimento Agrário. E, para completar o pacote de maldades, em votação na Câmara Federal, o GPG conseguiu na noite do ultimo dia 10 de Outubro, em primeiro turno e sem panelaços, a aprovação por 366 votos contra 111 da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que congela os gastos federais com saúde, educação e assistência social pelos próximos 20 anos. Nesta ultima terça-feira (25), em segundo turno, o plenário da Câmara aprovou esta mesma PEC por 359 votos a 116 (e 2 abstenções). O "país do futuro" esta se tornando o país do retrocesso!   

       
      Neste texto de encerramento das atividades do Blog Historismo acredito que não cabe me estender sobre o grave momento político em que vive o Brasil, deixo como reflexão as palavras de Coélet sobre a pirâmide da injustiça: “Se você vê num Estado a opressão do pobre, o direito e a justiça violados, não se espante com isso, pois quem está no alto tem sempre outro mais alto que o vigia. E sobre os dois, há outros mais altos ainda”. #Já_Estava Escrito...

      
      O fato é que o mundo passa por uma era de ódio ao extremo! As palavras, os sentimentos e qualquer outra coisa que mereça um olhar mais cauteloso e sóbrio, estão sendo interpretadas de forma assustadora. Os sentimentos estão à flor da pele, muitos seguem com o espírito armado, é preciso muita observância e equilíbrio, pois todos nós estamos expostos aos exageros. #Mais_amor, por_Favor!

       
      Com o propósito de compartilhar fatos históricos do passado e da nova história, o Historismo foi seguindo o seu curso. Dizer que existia imparcialidade nas postagens, seguramente seria uma hipocrisia, visto que todo aquele que carrega o habito de escrever, e, escreve por amor, segue a parcialidade do coração.

      
      As postagens do Blog Historismo nunca tiveram o compromisso de fazer um resumo da historia, longe de mim esta loucura, acredito que o deus tempo esta encarregado desta tarefa, apenas registrei – na medida do possível - alguns poucos fatos que surgiram na minha linha do tempo ao longo destes quase 3 anos de postagens. #Tudo_é_ Historia.

       
      Concluo afirmando que foi uma experiência engrandecedora e transcendental compartilhar com os seguidores e leitores do Historismo as minhas postagens. Registro aqui minha eterna gratidão. Sou, acima de qualquer coisa, um homem de espírito livre. E, em nome desta liberdade, neste dia 27 de outubro deixo como registro histórico todas as postagens feitas ate hoje neste blog. Um bom século 21 a todos e todas! #Até Mais!

PEC 241: Clique aqui para saber mais 


Coélet  é considerado o que escreveu o livro de “Eclesiastes”, pertencente à literatura sapiencial do Antigo Testamento. O trecho citado a cima (Eclesiastes capítulo 5 versículo 7) foi tirado da Bíblia Sagrada - Edição Pastoral , Paulus, 1990.

Mediador do Blog Historismo



















 Link do meu novo  Blog: Nblog

Video retrospectivo com imagens do Historismo

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

#Diretas Já!

Semana de comemoração da “Independência” do Brasil é marcada por forte resistência ao Golpe.

 

Por: Nito Costa

     Após a manifestação do último dia 4, em São Paulo, que levou mais de cem mil pessoas às ruas contra o governo ilegítimo de Michel Temer, lideranças do movimento social e sindical, reunidas em plenária da Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, definiram nesta terça-feira (6) a data das próximas manifestações populares.

     Nesta quinta-feira (8), um ato se concentrará no Largo da Batata a partir das 17 horas, e no domingo (11), a defesa da democracia, das novas eleições e do Fora Temer acontecerá novamente na avenida Paulista, a partir das 15h. 

     Sobre a ilegitimidade do governo Temer  o Sociólogo,  *Michael Löwy, reforça que o afastamento  da presidenta Dilma não tem “nenhuma base jurídica, o processo contra Dilma foi armado em cima de pretextos ridículos e absurdos. A oligarquia brasileira – financeira, industrial, rural, midiática, jurídica, etc. – pôs em execução um golpe de estado pseudo-legal, através de seu instrumento político, o partido dominante que controla ambas as Câmaras, o PQB (Partido dos Quatro Bs: Bancos, Boi, Bíblia e Bala. Talvez deveria se acrescentar uma letra: C, de “Corrupção”. Tal e qual Paraguai e Honduras, países sofridos que quase nunca conheceram democracia. Para realizar seu objetivo as elites econômicas capitalistas armaram uma aliança de ferro com os setores mais reacionários, obscurantistas e retrógrados da sociedade brasileira: os campeões da misoginia, da homofobia, da intolerância religiosa e da pena de morte. O resultado é este governo Temer, monstrengo ilegal, ilegítimo, impopular e espúrio, cujo primeiro ato será reduzir o orçamento da educação e da saúde. O momento não é para lamentos, ou resignação, mas para a resistência. Tem agora a palavra um personagem que não foi nem ouvido, nem consultado, durante estes meses de “processo”: a população brasileira. É urgente organizar um amplo movimento, como o de 1985 contra a ditadura militar agonizante, em torno da palavra de ordem “Diretas Já”! Chega de conchavos parlamentares, manobras pseudo-jurídicas, e golpes de estados senatoriais. É o povo brasileiro que deve eleger o Presidente da República e não uma clique de políticos do PQB." 

Sobre a imagem de capa da postagem:
 

A arte é uma montagem que circula nas redes sociais neste 7 de Setembro.


O original:"INDEPENDÊNCIA OU MORTE" ou "O Grito do Ipiranga" de Pedro Américo (óleo sobre tela, 1888).

O quadro feito em 1888, atualmente no salão nobre do Museu Paulista da USP, é a principal obra do museu e a mais divulgada de Pedro Américo.

O nome original dessa tela é "Independência ou Morte" mas ficou conhecida como "O Grito do Ipiranga".

A tela mede 7,60 x 4,15 m, tratando-se de uma tela retangular que representa a cena de Dom Pedro I proclamando a independência do Brasil. Na tela também aparecem:

à direita e à frente do grupo principal, em semicírculo, estão os cavaleiros da comitiva;

à esquerda, e em oposição aos cavaleiros, está um longo carro de boi guiado por um homem do campo que olha a cena curiosamente.

Essa obra foi encomendada pelo governo imperial e pela comissão de construção do monumento do Ipiranga, antes que o Museu do Ipiranga existisse, e foi completado em Florença em 1888.

O artista se preocupava em estudar todos os detalhes de seus quadros, como roupas, armas e os tipos físicos das pessoas. Para a produção deste quadro, ele se dirigia freqüentemente ao bairro do Ipiranga para conhecer-lhe a luz, a topografia e outros aspectos.

Nenhum dos dois pintores representou com exatidão os fatos. Pedro Américo, atendendo à finalidade da encomenda, buscou construir a imagem de um herói guerreiro, criador de uma nação. Moreaux, talvez pensando nas revoluções de sua pátria, pintou um líder popular. ( Fonte: Centro de Referência em Educação)



*Michael Löwy é sociólogo, nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS).  É autor de Revolta e melancolia: o romantismo na contracorrente da modernidade, Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012), A jaula de aço: Max Weber e o marxismo weberiano (2014) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin, além de coordenar, junto com Leandro Konder, a coleção Marxismo e literatura da Boitempo. Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.



#Diretas Já!
#Fora Temer



Hino Brasileiro Fora Temer 





Anexo


Assista: Diretas Já de 84




quinta-feira, 1 de setembro de 2016

#TCHAU_DEMOCRACIA.

31 de Agosto/16 , o dia em que o ódio golpeou a democracia tupiniquim.



Por: Le Monde Diplomatique, Marilena Chaui

 

NOVO REGIME


Sim, há golpe de Estado.

Na medida em que não há crime de responsabilidade pública, os procedimentos empregados para promover o impedimento pertencem à definição de golpe como trama, ardil, estratagema, manobra desleal, busca indevida de proveitos próprios e uso de palavras acintosas e injuriosas contra a presidenta Dilma



     Espinosa recomenda que, numa investigação, comecemos pelo uso costumeiro das palavras porque, na origem, elas possuem função denotativa, isto é, indicativa de alguma coisa e somente depois adquirem um sentido conotativo, como nas metáforas, metonímias, sinédoques e outras figuras de linguagem. Se aceitarmos essa recomendação, ao empregar a palavra golpe convém buscarmos nos dicionários seu primeiro sentido. O Dicionário da Língua Portuguesa de Laudelino Freire, por exemplo, apresenta: “1. pancada com instrumento cortante ou contundente; 2. ferimento, ferida, brecha feita com instrumento cortante ou contundente; 3. acontecimento funesto inesperado; infortúnio; desgraça; 4. crise; 5. trama”. O Dicionário Houaiss registra os mesmos significados, mas acrescenta: “ato pelo qual uma pessoa, utilizando-se de práticas ardilosas, obtém proveitos indevidos; estratagema, ardil, trama, manobra desleal [...] ataque acintoso por meio de palavras, injúria, insulto”. Entre os inúmeros sentidos figurados, os dicionários registram “golpe de Estado”. Laudelino Freire registra: “1. ato violento a que um governo recorre para sustentar o poder; 2. trama pela qual indivíduos por meios violentos derrubam o governo estabelecido”. E Houaiss: “1. tomada inesperada do poder governamental pela força sem participação do povo; 2. ato pelo qual um governo tenta manter-se no poder pela força, além do tempo devido”. Nessa perspectiva, compreende-se que muitos afirmem, incluindo o PT, que não está havendo um golpe de Estado, pois tudo se passa segundo a legalidade posta pela Constituição, não há uso da força nem mudança do regime (não se passa da democracia para a ditadura).



     Examinemos, porém, os procedimentos empregados. Na medida em que não há crime de responsabilidade pública por parte da presidenta Dilma Rousseff, os procedimentos empregados para promover seu impedimento pertencem à definição de golpe como trama, ardil, estratagema, manobra desleal, busca indevida de proveitos próprios e uso de palavras acintosas e injuriosas contra a sua pessoa. Em outros termos, a lei está sendo usada para pisotear o direito. Estamos, pois, perante o núcleo da palavra golpe como violência, desgraça, ferida e crise.



Mais importante: examinemos se, de fato, não há mudança de regime.



     Em primeiro lugar, estamos perante a desinstitucionalização da república. Na medida em que o pilar da forma republicana é a autonomia dos três poderes, vemos que esta se encontra rompida, por um lado, pelo que se denomina “judicialização da política” (em que poder judiciário opera para bloquear o trabalho dos conflitos – trabalho que é o núcleo da democracia), além de interferir diretamente de maneira seletiva e pré-determinada nos dois outros poderes. Por outro lado, é notória a interferência do poder executivo interino sobre o poder legislativo para a compra ou barganha de votos do Senado. Podemos não estar perante uma ditadura militar, mas percebemos claramente não que estamos diante de uma verdadeira república.



     Em segundo lugar, e muito mais grave, estamos diante da desconstrução da democracia. Esta, como sabemos, não se define apenas pela concepção liberal, que a reduz a um regime político baseado na ideia de direitos civis, organizada em partidos políticos e que se manifesta no processo eleitoral de escolha dos representantes e nas soluções técnicas para os problemas econômicos e sociais. A marca da democracia é a criação de direitos e a garantia de seu exercício.



    Neste momento, que se passa com o direito à igualdade? Está destruída, como indicam as medidas já tomadas pelo governo interino e as anunciadas por ele (como a PEC 241) e os 59 projetos de lei trazidos ao Congresso pela bancada do Boi, da Bala e da Bíblia, que selam a recusa da igualdade econômica, social, racial, sexual, religiosa, fundada nos direitos econômicos, sociais e culturais conquistados nos últimos quinze anos graças, de um lado, a políticas de erradicação da miséria e de inclusão por meio de transferência de renda, e, de outro lado, pela criação das secretarias de ações afirmativas.



     Que se passa com o direito à liberdade? Está sendo pisoteada, em primeiro lugar, pela supressão da Secretaria de Direitos Humanos e sua substituição pela Secretaria de Segurança Nacional, sob o comando de um general; em segundo lugar, pelo recurso ininterrupto às força policiais para reprimir movimentos populares e sociais de contestação e de reivindicação (fato observado sobretudo nas cidades menores do Sul e Sudeste e nas grandes cidades do Norte e do Nordeste), anunciando o emprego futuro da lei antiterrorismo contra a população.



    Que se passa com a participação? Tornou-se impossível porque há o monopólio da informação pelos meios de comunicação, que não apenas desinformam, mas produzem ininterruptamente falsas informações.



Conclusão: podemos ainda não estar num Estado policial, mas certamente já não estamos numa democracia.



     Finalmente, a questão da soberania. A política externa do governo interino, abandonando a política ativa e altiva dos governos Lula e Dilma, quebrou o Brics e o Mercosul e outros organismos de unificação continental, restaurou a geopolítica que orientou e comandou o golpe de 1964, isto é, recolocou o país submisso à esfera de poder e influência dos Estados Unidos, do Banco Mundial e do FMI. E, evidentemente, no que diz respeito às fontes de energia, em particular o petróleo, essa decisão geopolítica lançará o Brasil no mundo do confronto sangrento que marca a situação do Oriente Médio.



Nestas circunstâncias, como não falar em golpe de Estado?

Marilena Chaui: Filósofa e professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. 





Assista: Pronunciamento de Dilma Rousseff